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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Roma, 1630.
O gênio francês da pintura, Nicolas Poussin, recebe em seu ateliê um homem misterioso, cujo objetivo é narrar a história de uma guerra que remonta o princípio dos tempos e culmina no século XIV na Idade Média.

“Há uma tríade de personagens e a cada um cabe uma origem, uma existência e um fim. Porém há apenas um começo”.

Idade Média.
Em Paris, um anjo em prol de um plano antigo aconselha o ganancioso rei, Felipe, o Belo. Em Sardes, uma misteriosa batalha confirma a suspeita de que uma conspiração se levanta contra a venerável Ordem dos Cavaleiros Templários, colocando em risco a segurança de um segredo milenar. Na Perúgia, um vampiro desperta faminto de seu túmulo e ataca membros da poderosa Igreja Católica.

“Não vejo que relação pode haver entre anjos caídos, um templário e um vampiro!”

Na Cidade Alta.
Uma guerra, em outro mundo, em outra época, dá origem à peça-chave do que virá a se tornar um dos maiores quebra-cabeças que a humanidade já conheceu.

“Cabe a quem está contando, tornar relações implausíveis em histórias verossímeis. E a quem ouve, manter o espírito livre”.

Prepare-se! Quando A Tríade se reunir, o eixo será liberado. E o destino do mundo poderá estar nas mãos do Anjo, do Templário, do Vampiro... ou daquele que o encontrar primeiro.

“Não tema nada, a morte é o destino do homem”.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Com a Tríade aprendi três coisas: escrever, imaginar e amar
Não uma escrita que se ache pronta, ao contrário, uma escrita que ainda sabe que está no meio do caminho, antes do meio. Não uma imaginação que se ache infalível, não, aquele tipo de imaginação que se entrega ao delírio das coisas não ditas, mas ciente de que são só delírios e para se transformarem em alguma coisa (um conto, por exemplo) precisa-se de muito trabalho. Não um amor que só se entrega às coisas perfeitas, ao contrário, um amor que sempre está ciente das qualidades e defeitos do ser/coisa amados.

São seis anos de trabalho onde esses três elementos vem ganhando força, maturidade. Acredito, hoje, depois do projeto concluído, que esses sãos os elementos que qualquer (pretenso) artista da palavra precisa dominar para sair do assoalho do medíocre e começar a erguer algo consistente: tem que saber escrever (bem óbvio), imaginar (insiro aqui delirar, enlouquecer) e amar.

E como aprendi isso?

Escrever, acho, parece óbvio, foi com a prática. Muita prática. Não somente a prática do meu texto, longe disso! Aprendi muito com a prática dos outros, comparando, lendo e relendo. Nesse “outros” coloco não só os ilustres escritores que dividiram comigo essa peleja (rs), mas os escritores todos, que li e reli (ficção, ou não). Aprendi discutindo e percebendo que se a palavra não diz, não diz e pronto, não perca seu tempo explicando o que quis dizer. Texto é igual a filho, é feito pro mundo e tem que se garantir, não adianta querer proteger.

Imaginar. Muitas vezes a minha mãe foi chamada à escola. A reclamação era sempre a mesma, é um ótimo menino mas presta pouca atenção à aula, quando não está conversando, está rabiscando algo no caderno. Minha mãe vinha então conversar comigo, dizer que eu tinha que prestar atenção. E imaginar ganhava um tom de errado, sonhar algo restrito aos cobertores. Sempre lutei com isso, como uma loucura que pudesse me consumir a qualquer momento, uma infância que não queria dar lugar à maturidade. A Tríade me ensinou que o delírio é parte da sanidade, controlar e se entregar a ele faz parte da tal maturidade. Somos, em essência, loucos, temos o pé em universos paralelos. Se o que se imagina morrera em nossos sorrisos solos em uma sala de espera, ou se vai virar um filme de bilhões de dólares em orçamento, bem, acho que aqui conta muito trabalho com outro tanto de sorte. Mas imaginar é fundamental, para quem trabalha com as mãos ou com a cabeça.

Amar, também, acho que mora dentro do óbvio. Quem é casado, ou viveu um relacionamento mais longo sabe o que vou dizer, viver com alguém não é fácil. Articular suas idiossincrasias com a de outra pessoa, imagine com a de quatro pessoas! Não há como fazer isso sem algo de amor, um projeto, qualquer um, morre sem essa pitada. No meu caso, tive que aprender a amar os meus amigos de jornada, aprender a calar e xingar. Os personagens, vivi muito com eles e tive que aprender a dar voz para suas qualidades e defeitos sem manipulá-los, como se deve ser. E ao projeto, toda essa saga, acreditando que não seria só uma grande perda de tempo. A experiência do amor, das três, é o que torna as palavras receptáculos do eterno e não somente um conjunto de símbolos que representam histórias.

É isso, sei que esse texto é muito passional. Sei também que, talvez, não era isso que esperava encontrar aqui. Contudo, é com ele que escolho começar, algo que dedico àqueles que estão no começo de uma jornada que se fará longa; no meio de uma que já se arrasta por muito tempo; ou no fim de alguma que não obteve êxito. E também porque é aqui que está a essência do que será publicado em breve, esse almagama de palavras, delírios e amor.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Escrevendo a Tríade - parte I

Por Octavio Cariello


O projeto da Tríade tinha já três anos quando conheci Claudio Brites e Carlos Andrade.
Claudio era amigo do Kizzy, que tinha sido meu aluno de roteiro na antiga Fábrica de Quadrinhos. Claudio frequentou minhas aulas de roteiro na Quanta Academia de Artes e me indicou como professor de desenho pro Carlos.
Depois de alguns meses, as relações se estreitaram e passamos a nos frequentar.
Numa das reuniões na casa do Carlos, fui apresentado à Tríade e ao impasse criado pela ascensão do Kizzy ao status de escritor conhecido.
Carlos havia preparado a parte do anjo, Mamon, Claudio animara-se em redigir centenas de páginas com as aventuras do templário, André de La Rochelle, e Kizzy desenvolvera as viagens de Juan Carlos Montoya, o padre que vira vampiro.
Originalmente, caberia ao Kizzy a tarefa de redator da versão final, homogeneizando as três vozes, de alguma maneira, díspares dos autores.
Com as obrigações remuneradas de escritor e organizador de coletâneas, restava pouco tempo e energia ao Kizzy para empregar na finalização do romance.
Os autores divulgaram sua ideia nas malhas da Internet, criando muita expectativa quanto ao romance finalizado; suas vidas, entretanto, foram tomando rumos que, aparentemente, distanciavam-se do destino do projeto que lhes era tão caro.
Depois de muita energia, esforço e dedicação, a Tríade parecia fadada a permanecer muito guardada.
Demonstrei interesse em fazer parte do projeto e assumir a redação final. O trio original de autores ficou animado e me forneceu todos os documentos coligidos e referências usadas na confecção de seus manuscritos.
Levei uns dois meses analisando cada mapa, cada livro, cada referência. Li e reli os manuscritos umas três vezes. Depois de uma reunião no café da Livraria Cultura, passei a fazer minhas próprias pesquisas e desenvolver uma história de moldura que fizesse jus às narrativas desenvolvidas por Carlos, Claudio e Kizzy.
Uma vez que os autores concordaram com minhas ideias, iniciei o primeiro esboço. O romance contaria com Um personagem misterioso que iria narrar, na Roma do século XVII, para um dos pintores franceses mais influentes, as aventuras acontecidas com a Tríade original, desde o início dos tempos até a Europa do século XIV. Para manter a estrutura em trígonos, imaginei um capítulo final, um desfecho acontecendo na contemporaneidade do século XXI; pouco mais de três séculos separariam cada instância do romance pontuado por acontecimentos históricos concretos.
A Nicolas Poussin (e ao leitor, em paralelo) seriam revelados os fatos que podem responder a pergunta que originou a Tríade: qual segredo uniria o anjo, o templário e o vampiro?
depois de muitos ajustes, feitos pro Claudio Brites, Carlos Andrade e Kizzy Ysatis, a Tríade, enfim, está pronta e, em breve, você poderá procurar pela resposta nas páginas do nosso romance feito a oito mãos.